“Eu não quero te perder.”
Ela disse, ela sentiu. Ele não acreditou. Ele mentiu cada palavra fria. Ele disse que a odiava. Mas na verdade ele odiava amá-la.
Os dois sentiam uma vontade imensa de se abraçarem, chorar e dizer o quanto sentiam falta um do outro. Ninguém falou nada.
“É o sentimento mais estranho e intenso do mundo, cara.” Ele falou pra si mesmo. “Isso não é amor, não pode ser. Eu não sei o que é, mas eu não vivo sem isso.”
E, naquele silêncio da noite afora, disseram duas palavras e meia e simplesmente ficaram ali. Não falaram nada, não se mexeram, nem se quer se olharam. Ficaram imaginando o que estavam pensando. Ela chorou. Ele não conseguiu abraçá-la. Não sabia se a odiava, se a amava, se queria que ela fosse embora ou ficasse. Só queria estar ali, ao lado dela, naquele momento.
- Ei.
- O que foi?
- Tu não vais me perder.
Ela sorriu e as lágrimas correram mais rápido. Ele passou a mão em seu rosto, limpando suas lágrimas. E naquele abismo ficaram, sem saber o que falar ou fazer. Mas de uma coisa os dois sabiam: esse era o início de uma nova relação, com um sentimento mais forte do que a antiga.
Não aguentaram mais aquela distância entre os dois e abraçaram-se. Por um momento, os dois tinham-se seguros. Nada mais importava, apenas o abraço que os mantinham aquecidos. Ele sentia a coisa mais bonita do mundo enquanto sentia aquele rosto macio e molhado colado no seu. Não queria sair dali nunca.
Ele sussurrou bem baixinho: “Eu nunca vou te deixar, nunca.” Ela não ouviu, mas ele sabia que ela sabia. Se ela não soubesse, ela descobriria. Pelo menos até a próxima briga.
“Amor é uma coisa complicada, bicho.”
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